História da Igreja de Nova Vida

Biografia do Bp. Robert McAlister

 

Origens

 

Igreja de Nova Vida foi organizada pelo Bispo W. Robert McAlister, conhecido pelo povo de Deus como "Bispo Roberto", de nacionalidade canadense, veio para o Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, onde implantou uma grande obra de evangelização conhecida como “Cruzada de Nova Vida”.

 W. Robert McAlister nasceu em 13 de agosto de 1931, na cidade de London, província de Ontario, Canadá. Vindos de uma família originalmente evangélica e com tradição no reavivamento pentecostal – seu tio, R. E. McAlister, doi o fundador das Assembleias de Deus no Canadá –, ele e seus irmãos, Elizabeth e Jack, foram criados na igreja e nunca saíram dela. Mesmo assim, Robert não queria saber de Deus. Era considerado a “ovelha negra” da família, apesar de seus pais nunca terem deixado de orar por ele. Seu pai, Walter E. McAlister, depois de implantar várias igrejas no Canadá, tornou-se pastor da “Igreja da Pedra” (nome atribuído pela característica arquitetônica da mesma), na cidade de Toronto. Era um homem extremamente humilde. Sua maior característica era nunca falar mal de ninguém. Sua mãe, Ruth, sempre foi dona de casa.

Quando Robert se converteu, aos 17 anos de idade (no dia 18 de setembro de 1948), largou seu emprego em uma seguradora para estudar, durante três anos, em uma escola bíblica, a Eastern Pentecostal Bible College, em Peterborough, também em Ontário, a duas horas de ônibus desde o norte de Toronto. Após sua formatura, foi ordenado ao pastorado pelo seu próprio pai, então superintendente nacional das Assembleias Pentecostais do Canadá.

 

Primeira missão e descoberta de um ministério “pentecostal”: Filipinas

 

Formado e ordenado, alentava o sonho de servir no campo missionário e, assim, juntou-se a um grupo de missionários que foi servir a Cristo nas Filipinas como solista (cantava desde cedo nos corais da igreja), uma vez que já havia pregadores escalados para as campanhas evangelísticas naquele país. Entretanto, nas noites em que não havia campanha, o jovem missionário realizava cultos com oração pelos enfermos em outros bairros de Manila, o que o levou a ser repreendido, especialmente porque aquele grupo era de cristãos cessacionistas (ou seja, criam que os dons do Espírito Santo cessaram após o período apostólico), o que para ele era inadmissível, pois ele próprio fora curado milagrosamente de uma gagueira. Com isso, juntou-se a um missionário americano que também estava nas Filipinas, Lester Summeral, a quem começou a acompanhar e com quem muito aprendeu sobre os milagres do Espírito Santo.

Pr. Roberto decidiu permanecer mais tempo naquele país e, assim, convidou seu tio, Hugh McAlister, para unir-se a ele nas campanhas de cura divina que promoveram naquele país antes de retornarem ao Canadá passando, antes, pela Índia, onde fez uma cruzada evangelística.

 

Casamento

 

De volta à sua terra, em 1955, foi para os Estados Unidos fazer uma cruzada e conheceu uma moça de Charlotte, em Carolina do Norte, chamada Glória Garr, filha do primeiro missionário pentecostal na Índia, Dr. A. G. Garr. Eles se conheceram em um sábado de manhã. Estavam tomando café na casa da mãe dela, onde ele estava hospedado. Eles conversaram e três dias depois ele a pediu em casamento (!). Ela perguntou porque ele tinha demorado tanto para se decidir (!!). E os dois casaram pouquíssimo tempo depois, no dia 10 de junho de 1955 (!!!). Quanto à lua-de-mel, o local escolhido foi um cruzeiro pelo... Brasil (!!!!). Aqui, quando ancorado em Santos (SP), foi convidado a pregar na Assembleia de Deus daquela cidade, o que o marcou.

 

Outras missões: Alemanha, França e Hong Kong

 

Depois da lua-de-mel, retornou aos Estados Unidos e de lá partiu para fazer cruzadas de dois anos em países como França, Alemanha e Hong Kong, onde implantou uma igreja a qual chamou de New Life Church. Mas seu objetivo era estabelecer-se na Índia, desde sua primeira viagem àquele país.

 

Geopolítica o impede de se estabelecer na Índia

 

Robert seria missionário em Calcutá, na Índia. No entanto, às vésperas da viagem descobriu que, como canadense, podia ir e sua esposa por ser americana, não (a Índia estava sob influência soviética, no auge da Guerra Fria). Por isso sua entrada foi proibida. O sonho de ser missionário na Índia havia acabado. Com isso, deu os US$ 5.000,00 dólares que tinha guardado para fazer a viagem ao seu melhor amigo, Mark Buntain, que foi missionário na Índia durante anos. Entre uma turnê e outra, foi convidado para pregar em uma igreja durante um ano em South Bend, Indiana, depois voltou para Charlotte, para o nascimento do filho Walter.

 

O nascimento da Igreja de Nova Vida

 

Missões na França e nos Estados Unidos, e um convite que marcaria sua vida... como tudo começou no Brasil

 

Em 1956, foi ser missionário em Paris, na França, ao retornar para Charlotte, continuou com as missões e pregou algumas vezes na igreja de seus pais.

Acostumado a realizar cruzadas pelo mundo inteiro, o então Pr. Roberto foi convidado por Lester Summeral para participar de uma campanha evangelística no Maracanãzinho, Rio de Janeiro, em 1958. Ele só havia estado no Brasil uma única vez, em sua lua-de-mel. Quando a campanha terminasse, ele continuaria a correr o mundo pregando a Palavra de Deus. Foi neste dia que Roberto ouviu uma voz: “Este é o lugar para o qual eu o chamei para pregar a minha Palavra”. Era a voz de Deus e sua rota não foi mudada por um simples vento, como a do navegador, e sim por Aquele que é mais poderoso do que qualquer furacão: o vento do Espírito Santo. Ao final da campanha, teve que voltar correndo para o Canadá, pois sua filha tinha acabado de nascer.

 “O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito” (João 3.8).

Decidido a cumprir o chamado de Deus, poucos meses depois, em 1959, Robert McAlister veio morar no Brasil acompanhado da esposa, Glória, e de seus filhos, Walter, com dois anos e meio, e Heather Ann, de apenas seis meses. Primeiro foi para São Paulo, mas todas as portas se fecharam. Era a mão de Deus, pois ele estava sendo chamado para o Rio de Janeiro, por isso, foram morar no bairro de Santa Teresa e foi assim que tudo começou.

 

A igreja que começou no rádio

 

A Igreja de Nova Vida nasceu de um programa de rádio, a “Voz da Nova Vida”, que foi transmitida pela primeira vez no dia 1º de agosto de 1960, às 6h30, através da Rádio Copacabana: “É tempo de ouvir uma mensagem de Nova Vida”. Foi assim que começou a primeira transmissão do início da Igreja de Nova Vida. Foi através deste programa que o missionário Roberto implantaria, posteriormente, a Igreja de Nova Vida.

 Como seu desafio era falar na rádio, o missionário teve que fazer um curso intensivo da língua portuguesa (oito horas por dia em um período de três meses), para poder fazer a locução do programa de 15 minutos. Tudo tinha que ser escrito, até mesmo a oração. “Tudo era lido, mas com unção, como se estivesse sendo só falado”, diz o Pr. Walmir Cohen, que trabalhou com o bispo nos programas de rádio por vários anos. A gravação dos primeiros programas foi realizada na casa do próprio Pr. Roberto, tendo como estúdio um quarto com cobertores pendurados nas janelas, a fim de abafar os ruídos dos carros.

 O grande impacto causado pelas mensagens de salvação do bispo levou-o a fazer dois programas diários, um às 6:30 e outro às 18:30. Em 1963, ele sentiu a necessidade de alcançar todo o Brasil com as Boas Novas e, com isso, transferiu o programa para a Rádio Mayrink Veiga, às 8:10. Depois foi à Rádio Guanabara, que também veiculou o programa até que fosse transferido para a Rádio Relógio, então comprada pela igreja em 1967. A partir daí a Igreja de Nova Vida começou a produzir mais programas, como o “Café Espiritual”. “A Rádio Relógio foi mais um dos grandes milagres de Deus, depois de muitas lutas, o contrato foi assinado e as duplicatas emitidas. Ela contribuiu muito para o crescimento da Igreja de Nova Vida. A sua venda foi como rasgar uma página da nossa história”, lamenta o Bp. Tito Oscar.

 Frases que lhe caracterizavam começaram a ser repetidas pelo povo, como “Que Deus o abençoe rica e abundantemente” e “É chegada a hora da oração”.

 A audiência foi crescendo e no primeiro ano de programa recebera doze mil cartas. Enfatizando a cura das enfermidades nas transmissões, com isso o Pr. Roberto sentiu necessidade de passar aos ouvintes a base bíblica de suas declarações. Naquele momento surgia o seu primeiro livro, “Perguntas e Respostas sobre a Cura Divina”, que era dado a quem escrevia para o programa. O livro esgotou-se no primeiro mês.

 

Da rádio para as praças

 

Milhares de pessoas falavam sobre as pregações e suas vidas transformadas pela Palavra de Deus nos programas de rádio. Muitas pessoas procuravam a rádio para buscar orientação espiritual, até que alugou um escritório no “Edifício Central”, na Avenida Rio Branco, 156, artéria do centro do Rio. Mas o fluxo de pessoas era tão grande que não dava mais para ficar só na rádio e em escritórios. Um desejo começou a invadir o coração do missionário canadense: reunir todos os ouvintes num lugar para falar de Jesus.

 O poder de Deus no programa de rádio era tão grande que houve a necessidade de terem um local para reuniões. Para saber a respeito de quantas pessoas que ouviam o rádio se reuniram em culto, foi realizado um “Culto com os amigos do Pr. Roberto” na Praça Saens Peña, no bairro da Tijuca (Rio de Janeiro), no encontro que ficou conhecido como o primeiro culto de Nova Vida. Depois, agendou uma reunião ao ar livre em um coreto do Jardim do Méier, encontrando uma grande multidão no local e teve uma grande experiência: ao começar a orar (em seu limitadíssimo português), uma mulher que era cega passou a enxergar, e vários outros milagres aconteceram naquele local. Se iniciava oficialmente, fora da rádio, a “Cruzada de Nova Vida”.

 

Das praças para um templo provisório para a “Cruzada”

 

Após tal encontro em praça pública, o bispo decidiu alugar um espaço para que se reunissem semanalmente, e assim aconteceu. Às duas e meia da tarde, no 9º andar do edifício da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), na Rua Araújo Porto Alegre 71, Rio de Janeiro, no dia 13 de maio de 1961, então “Dia das Mães”, foi iniciado o primeiro culto em um salão específico, com um local fixo. O auditório estava lotado. A ordem do culto foi a mesma que conhecemos até hoje: louvor, oferta e mensagem, além das orações e testemunhos. O convite para seguir a Jesus Cristo foi aceito por centenas de pessoas, que ficaram de pé, anunciando o desejo de seguir o Senhor. “Foi um culto muito alegre. Era impossível não sentir a presença do Espírito Santo”, conta D. Elza Queiroz.

Centenas de pessoas reconheceram a Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas. Domingo após domingo Deus manifestava o Seu poder. Os novos convertidos eram aconselhados a congregarem em uma igreja próxima de suas casas, porém o número de membros foi crescendo tanto que houve a necessidade de se criar mais um culto. Além disso, o crescimento espiritual “pedia” mais busca do Espírito Santo.  “Ah, que saudade! Aquele domingo pela manhã, quando sentimos necessidade de mais uma reunião, pois o povo começou a cantar no espírito pela primeira vez”, suspirou o Bispo Roberto na revista “A Voz”. A partir daí, nas quartas-feiras, criou-se mais um dia de louvor e milagres de Deus.

 

Da “Cruzada” para a “Igreja”

 

O fato de ser um auditório trazia algumas dificuldades, mas todas eram resolvidas. Quando havia batismo nas águas, um tanque de madeira era montado na plataforma, que servia de púlpito. “Era trabalhoso. Enchia de água e depois tinha que esvaziar e desmontar”, diz D. Elza. “E os instrumentos para o louvor? Como o auditório era alugado para outros eventos, o Bispo Roberto tinha que empurrar todo dia de culto o órgão do escritório na Av. Graça Aranha até a ABI, na Rua Araújo Porto Alegre. Uns duzentos metros mais ou menos”.

Mas o Pr. Roberto não tinha a intenção de ficar definitivamente no Brasil. Seria como nas Filipinas, em Hong Kong ou na Fraça: depois de um tempo, iria a outro país. Mas um culto mudou tudo. Era o ano de 1967 e o Pr. Roberto McAlister anunciou no culto que estava retornando aos Estados Unidos, pois o compromisso financeiro das igrejas americanas para sustenta-lo aqui havia terminado e não tinha mais como manter-se. Após um grande silêncio, um homem se levantou e, chorando, pedindo-lhe que ficasse, depositou todo o seu dinheiro na plataforma do púlpito, ato que foi seguido pelos demais. Pr. Roberto caiu em prantos e decidiu, naquele momento, permanecer no Brasil.

 

Abertura de igrejas

 

A abertura de igrejas foi uma consequência natural e espontânea deste mover do Espírito Santo. A ABI foi um passo importante no progresso da igreja, mas observando haver vários membros que moravam no subúrbio carioca, encontrou um local na Av. Teixeira de Castro, 312 e, além das ofertas obtidas para compra do imóvel, retornou aos Estados Unidos onde vendeu sua casa em Charlotte para aplicar tais recursos na construção do templo. Em 7 de março de 1964 foi inaugurada a primeira Igreja de Nova Vida, em Bonsucesso, Rio de Janeiro.

A “Cruzada de Nova Vida” se transformara primeiramente em “Igreja Pentecostal de Nova Vida” e posteriormente, pela direção que Deus dera ao Bp. Roberto McAlister, em “Igreja de Nova Vida”, nome mantido até os dias atuais. Deus confirmava a visão que havia dado ao então missionário Roberto. O ministério da Nova Vida crescia, enquanto ele seguia em direção ao alvo que o Espírito Santo lhe deu: “O Brasil para Cristo em nossa geração”.

Depois, dado ao número de frequentadores da região de Niteroi, procurou um lugar naquela área e encontrou, na Rua Carlos Maximiliano, 156, inaugurada naquele mesmo ano, no dia 28 de novembro de 1964.

Bp. Roberto notou quase não as havia na zona sul do Rio de Janeiro – coincidentemente, considerada parte dos que frequentavam a ABI eram moradores daquela região e, então, decidiu procurar um terreno ali para implantar a sede da igreja. Assim, após procurar por três anos terrenos e imóveis em bairros como Copacabana, Ipanema, Leblon, Lagoa e Jardim Botânico, encontrou um na Rua General Polidoro, 165 e, após grande campanha por recursos no Brasil e nos Estados Unidos, adquiriu o imóvel e, depois de anos de obras – iniciadas em 13 de setembro de 1965 – inaugurou a sede da Igreja de Nova Vida no bairro de Botafogo, em 9 de maio de 1971.

 

O “Descanso Sabático”

 

Após muitos desgastes, em 1973 o Bp. Roberto retornou aos Estados Unidos, deixando a Igreja de Nova Vida sob a regência do Pr. Tito Oscar, que a dirigiu até o retorno do Bp. Roberto, cerca de três anos depois, após digirir igrejas em Charlotte e Roma (onde assumiu a igreja de um falecido pastor amigo interinamente – Rev. John McTernan –, por poucos meses). Ali, em 1975, entendeu que chegara o momento de retornar ao Brasil, cuja regência lhe foi reentregue graciosamente pelo Pr. Tito Oscar.

 

Avançando na mídia

 

Iniciando com ineditismo na televisão brasileira em 1967, no então “Canal 6”, a presença da igreja na tv foi uma de nossas marcas. Em 1978, a Igreja de Nova Vida iniciou o programa de televisão “Coisas da Vida”, sendo uma das pioneiras na utilização da televisão como meio de evangelização no Brasil. Através deste programa milhares de vidas por todo o país se entregaram a Jesus Cristo. Logo depois foi criada a Escola Ministerial, onde vários pastores foram preparados e ordenados, pois a Igreja de Nova Vida crescia rapidamente. Além desses trabalhos, a Igreja de Nova Vida sempre atuou com firmeza na produção de livros e revistas.

 Em 1964, antes mesmo das primeiras igrejas nascerem, a “Palavra de Nova Vida” já estava circulando. Com dezesseis páginas e uma edição um tanto irregular, ela circulou até 1966, chegando a ter uma tiragem de vinte mil exemplares. Mais tarde, surgia uma nova publicação, a “Voz da Nova Vida”. Esta revista marcou um período importante na história da igreja. Pastores e líderes foram atingidos do Roraima ao Rio Grande do Sul. Paralelamente, o Bp. Roberto acompanhava o crescimento do trabalho com uma produção muito abençoada de livros. “As Dimensões da Fé Cristã”, “Os Alicerces da Fé”, “As Alianças da Fé”, “A Experiência Pentecostal”, “Medo” e “Crentes Endemoninhados: a Nova Heresia”, foram livros básicos na formação doutrinária do trabalho.

 

O descanso do Bp. Roberto

 

O Bp. Roberto McAlister tinha um histórico cardíaco e já havia feito três operações de ponte de safena. Na última, o coração aderiu ao peito. Quando foram fazer o transplante, uma hemorragia começou e ele não resistiu. O Senhor o promoveu para junto a si em 13 de novembro de 1993. O pastor foi embora, mas os seus ensinamentos ficaram marcados em suas ovelhas. A base de seu ministério era “Jesus salva, cura, liberta e batiza com o Espírito Santo”. Costumava mencionar e viver expressões bíblicas “com fé, tudo é possível” e “nada é impossível ao que crê”. Por isso, uma das marcas mais comuns no ministério do bispo eram as curas. Para ninguém esquecer, em todo lugar em que pregava, o bispo fixava no púlpito um cartaz, que dizia: “Ele perdoa todas as tuas iniquidades e sara todas as tuas enfermidades” (Salmo 103.3).

 

A Igreja de Nova Vida hoje

 

Uma igreja pentecostal

 

Apesar de alguns atribuírem o rótulo “neopoentecostal”[1] à Igreja de Nova Vida – provavelmente por ter dado origem à algumas igrejas que se adequam a tal característica – somos uma igreja cujos historiadores caracterizam como a “Segunda Onda do pentecostalismo brasileiro”, ou “Pentecostalismo de Segunda Geração”[2]. Entretanto, enquanto as igrejas da primeira geração de pentecostais se firmou em seus primórdios entre as classes mais carentes e periféricas da população, a Igreja de Nova Vida adentrou na classe média, terreno antes ocupado, entre os evangélicos, por ramos não-pentecostais, como os presbiterianos, batistas e metodistas.

 

Inovações da Igreja de Nova Vida

 

Mídia: rádio e TV

 

Como já comentado, a Igreja de Nova Vida foi uma das primeiras a adentrar na rádio e a primeira igreja a entrar na televisão desde 1967, inclusive sendo a primeira a apresentar um programa de entrevista nos moldes dos atuais talk-shows.

 

Vestimentas não-legalistas

 

Um rompimento característico foi quanto aos usos e costumes. O legalismo imperava no meio pentecostal e o Bp. Roberto rompeu com tais parâmetros humanos e na Igreja de Nova Vida, ainda que pentecostal, viam-se mulheres usando calças compridas, cabelos curtos e maquiagem – fato impossível de se observar nas igrejas pentecostais da época – assim como homens de barba e que assistiam jogos de futebol, por exemplo.

 

Uma igreja pentecostal com horário para terminar do culto

 

Outra característica que marcou uma distinção entre a Igreja de Nova Vida das demais igrejas pentecostais era a organização do culto – com horário não apenas para começar, mas, também, para finalizar – uma vez que muitos pastores atribuíam ao Espirito Santo sua própria indisciplina quanto ao horário de encerramento do culto.

 

Aplausos no momento do louvor

 

Como imaginar aplausos no período do louvor em uma igreja? Isso era algo inimaginável, assim como, também, o adorar a Deus com as mãos levantadas, a partir da implantação de um retroprojetor (na maioria das igrejas as pessoas tinham que cantar segurando um hinário nas mãos).

 

Gabinete Pastoral

 

Outra inovação foi trazida pela Nova Vida para o meio evangélico foi o aluguel de escritórios onde os estúdios de gravação funcionavam, na Av. Graça Aranha, 174 (salas 920 e 921), começaram a ser utilizados também como gabinete pastoral. Os ouvintes recebiam orações e conselhos, além de ganharem livros do bispo.

A procura pelo gabinete foi tão grande que mais três salas foram alugadas, em agosto de 1962, todas ficavam no 10º andar do Edifício Avenida Central, na Av. Rio Branco. As salas só foram fechadas quando houve a transferência para o Templo de Nova Vida de Botafogo, em abril de 1971. “Muitas pessoas que nunca entrariam em uma igreja evangélica foram recebidas. Centenas de horas foram utilizadas para ouvir e aconselhar. Muitas orações foram feitas e atendidas naquele lugar”. “Ainda hoje, todas as nossas igrejas mantêm um tempo durante a semana para este tipo de ministério”, diz o Bp. Tito Oscar. E na Igreja de Nova Vida, como em outras igrejas evangélicas, há membros fiéis à Palavra de Deus que nasceram espiritualmente no gabinete pastoral da Cruzada de Nova Vida.

 

Envelopes de oferta e entrega do dízimo na mão do pastor da igreja

 

O Bp. Roberto também inovou no momento do ofertório que, até então, caracterizada os cultos evangélicos ou através do recolhimento por salvas (as chamadas “sacolinhas”) ou através da entrega de recursos em uma tesouraria. Tratando este momento com a importância que se lhe é devida, inovou, implantando a entrega através de envelopes cujos dízimos – principal forma de sustento e ampliação da igreja – eram entregues diretamente nas mãos do pastor da igreja.

 

Sistema de governo episcopal em uma igreja pentecostal

 

Em 1976 oficializou o sistema episcopal – já adotado oficiosamente desde o início da igreja – e, com isso, inovou no meio pentecostal uma prática comum em demoninações históricas, como a anglicana e a metodista.

Ao longo do tempo, como em todo processo de crescimento e amadurecimento de igrejas, a A Igreja de Nova Vida sofreu algumas rupturas, mas manteve-se firme em seus propósitos. Em 1995 sua estrutura eclesiológica foi reorganizada sob o nome de “Conselho de Ministros das Igrejas de Nova Vida do Brasil”. Mantendo o sistema de governo episcopal, as igrejas são regidas de forma autônoma, sendo unidas espiritual e fraternalmente através dos seguintes padrões delimitadores (além da Bíblia):

  • Os pastores auxiliares são submissos aos seus pastores regentes.
  • Os pastores regentes são submissos ao bispo presidente.
  • O bispo presidente (eleito por dois anos, podendo ou não ser reeleito) é submisso às decisões deliberativas dos membros do Colégio Episcopal.
  • Além das deliberações do Colégio Episcopal, todos (pastores e bispos) declaram-se em acordo com a Declaração de Fé da Igreja de Nova Vida e estando sob o Código de Ética.

 

O compromisso dos pastores e bispos

 

Um dos mais importantes elos para a manutenção de tal vínculo são os encontros de pastores e bispos da denominação. Tais cultos, mensais, são obrigatórios a todos, e em tais ocasiões todos os pastores – dos mais experientes aos mais modernos, com igrejas maiores ou menores – se sentam e, qual ovelhas que são, ouvem a pregação de um de seus bispos como “a voz de seus pastores”), além de receberem dos mesmos relevantes informações relacionadas a toda a denominação. Neste sentido, o site oficial da denominação (www.conselhonovavida.com.br) é um dos elos que unificam as comunicações oficias entre todas as igrejas.



[1] Que tem por característica uma menor ênfase ao estudo bíblico e pouco importância a doutrinas teológicas solidamente bíblicas, e mais ênfase a liturgias mais práticas, voltadas mais aos testemunhos, à libertação demoníaca ou ao período de louvor e adoração, por exemplo.

[2] Na “primeira geração” de pentecostais brasileiros se encaixam denominações como as Assembleias de Deus e a Congregação Cristã no Brasil.

Bibliografia

McALISTER, Robert; OSCAR, Tito. Revista “A Voz”, números 01 ao 29. Rio de Janeiro: março de 1972 a dezembro de 1976, Carisma.

McALISTER, Robert; OSCAR, Tito; COHEN, Walmir. Revista “Nova Vida”, números 01 ao 09. Rio de Janeiro: 1980 a 1983, Carisma.

McALISTER, Robert. Informativo “Nova Vida”, entre dezembro de 1983 e dezembro de 1984. Rio de Janeiro.

McALISTER, Walter. Neopentecostalismo – a história não contada: quem foi Roberto McAlister. Rio de Janeiro: Anno Domini, 2012.

MACEDO, Edir; TAVOLARO, Douglas. Nada a perder, vol. 1. São Paulo: Planeta, 2012.

NOGUEIRA, Sarah. Revista Nova Vida – Edição Comemorativa da Igreja de Nova Vida de Brasília (artigo “Tudo começou assim”). Brasília: 2004.

OSCAR, Tito. Revista “Ponto de Contato”, número 01. Rio de Janeiro: 1986, Carisma.

OSCAR, Tito. In loco, nas reuniões do Conselho de Nova Vida e nas aulas de História da Igreja de Nova Vida (no Curso de Formação Nova Vida, 2014).

SEMBLANO, Martinho Lutero Regis N. 1ª Escola de Aperfeiçoamento: Escola de Boas-Vindas. Rio de Janeiro: 2015.

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