"Confessio Wittenberg"

 

O “Confessio Wittenberg” (2006) expõe a linha teológica da Faculdade de Teologia Wittenberg, a saber:

 

“1. Cristologicamente, CREMOS na divindade e humanidades plenas de Jesus, e que seus milagres foram literais, assim como seu nascimento virginal, sua morte, sua ressurreição e sua ascensão.

 

2. Teontologicamente CREMOS no trinitarianismo-ortodoxo (homoousia), crendo que as três divinas pessoas são consubstanciais, coinerentes, (perichoresis), coiguais e coeternas, tendo uma posição antimonarquianista (dinâmica e subordicionalista), antimodalista e antitrinitária econômico de conceito tertulianista.

 

3. Antropologicamente, quanto à condição do ser humano ao nascer, CREMOS que o homem herdou uma natureza contaminada pelo pecado, não merecendo o favor divino para sua salvação – dependendo da graça divina para tal – o que faz o homem confirmar por seus pensamentos e atos seu estado espiritualmente morto. “Todos pecaram” porque confirmaram em seus pensamentos e em seus atos sua essência pecaminosa. Assim, cremos que é imputada ao homem uma natureza corrompida pelo pecado consequente ao pecado adâmico, mas não o “próprio” pecado “pessoal/contextual” de Adão.

 

4. CREMOS na concepção reformada da natureza da Imago Dei, limitada, mas não eliminada. CREMOS na constituição humana tricotômica e no conceito calvinista da chefia federalista quanto à formação do homem, no qual Deus cria cada alma ao criar um indivíduo, recebendo este por herança a natureza física (dos pais) e espiritual (de Adão).

 

5. Hamartiologicamente, quanto à imputação do pecado adâmico, CREMOS no conceito da solidariedade, não-seminalista e parafederalista, não sendo nós julgados por pecados não cometidos, executados antes de nossa existência. Cremos que herdamos a natureza pecaminosa – e por causa dela pecamos, e não vice-versa (herdamos o pecado, e por isso comprovamos a natureza caída). CREMOS que tal herança é repassada, mas o pecado é pessoal. Assim, CREMOS que “nascer em pecado” não significa “nascer pecando”, mas nascer com a “inclinação natural a pecar”.

 

6. Soteriologicamente CREMOS no sinergismo de conceito para-arminiano, próximo à graça preveniente (o ser humano, por causa de seu representante primevo, Adão, herda uma natureza corrompida, apesar de não receber o mesmo pecado cometido por Adão. Apesar de tal natureza depravada, detém a volição para buscar a Deus).

 

7. Assim, soteriologicamente sinergistas, rejeitamos o ensino pelagiano de que o pecado de Adão não gerou consequências posteriores, pois cremos que a transgressão adâmica foi consequente e ativa à natureza de seus filhos e, ao contrário do que ensinava Pelágio, os filhos de Adão não nascem como ele foi criado, pois a humanidade tem tal inclinação inerente à sua natureza.

 

8. Arminiana, a Faculdade de Teologia Wittenberg se opõe aos argumentos da Teologia Relacional, cujo nome camufla o Teísmo Aberto, pois CREMOS que Deus não limita o seu poder por causa do livre arbítrio humano e que a santa vontade de Deus é soberana, em nenhum momento se submetendo ao livre arbítrio humano, nem mesmo na oração (1Jo 5.14).

 

9. Sobre o livre arbítrio, em oposição à Teologia Relacional, CREMOS que quem salva é unicamente Deus, e não o homem, sendo que seu livre arbítrio o possibilita escolher ou rejeitar a salvação que só Deus poderá efetuar em sua vida (Mt 19.25-26).

 

10. CREMOS que o termo “Teologia Reformada” não é exclusivo às igrejas de matiz doutrinária monergista de conceito calvinista, como muitos pretendem pressupor (alguns chegando ao ápice de afirmar que a própria Teologia Luterana não foi uma Teologia Reformada), mas que abrange movimentos anteriores à Reforma Genebrina e ao Concílio de Westminster, incluindo tanto os movimentos de interpretação soteriológica sinergista (caso da Faculdade de Teologia Wittenberg) quando os de interpretação monergista.

 

11. Na questão do relacionamento interreligioso, a Faculdade de Teologia Wittenberg tem uma posição não-ecumênica quando às pressuposições declaradas pelo catolicismo romano. CREMOS, sobre tal religião e com o devido respeito à mesma, ter ela apostatado do cristianismo ao abraçar, acolher, adaptar, proclamar e manter superstições e dogmas contrários ao ensino bíblico, e que têm sua gravidade amenizada pelas declarações ex-cathedra que, pressupõem os romanistas, estariam no mesmo nível que a bíblia (Concílio de Trento, Seção IV, de 8 de abril de 1546 e Concílio Vaticano II, Constituição Dogmática “Dei Verbum”, parágrafo 9). A Faculdade de Teologia Wittenberg, de maneira respeitosa àquela religião, entende pelo crivo das Escrituras Sagradas (“Sola Scriptura”) que as diferenças que separam o catolicismo romano da igreja de Jesus Cristo são graves, profundas e fundamentais. Entretanto, apesar de não adotar o ecumenismo, a Faculdade de Teologia Wittenberg adota e ensina o profundo respeito aos que se declaram católico-romanos, espiritualistas, budistas e aos que seguem ou não todas as demais religiões, apesar de ter uma posição bíblica discordante das mesmas.

 

12. Quanto ao denominacionalismo, CREMOS na pluralidade da igreja, composta de várias linhas teológicas, eclesiológicas e litúrgicas, desde que unidas pelo ensino e proclamação da glória de Jesus Cristo, exclusiva, incompartilhável e incomparável, caminho único para a salvação da alma da condenação eterna, através da fé exclusiva a ele, reconhecimento da bíblia como autoridade máxima de fé e doutrina, inspirada, inigualável e incomparável, estando acima de toda pessoa, denominação, credo, concílio, cargo ou função hierárquica quando lhe sendo contrária, e que jamais dividam a glória de Jesus com outro, sejam santos, pessoas piedosas ou líderes religiosos. Sobre isso, CREMOS que, independente do credo e das tradições cristãs das denominações da igreja, sejam declaradas como tradicionais (Batistas, Presbiterianas, Metodistas, Congregacionais, Luteranas etc.), pentecostais (Assembleia de Deus etc.), neopentecostais (comunidades evangélicas, denominações independentes etc.) e pentecostais carismáticas (Igreja de Nova Vida), por mais que as mesmas anunciem e proclamem o evangelho e ensinem a bíblia, não garantem a salvação de ninguém, pois exige fé prática e santificação de cada um.

 

13. Na práxis da vida cristã, CREMOS no “Evangelho da Cruz”, no evangelho do “Caminho Estreito” prenunciado pelo Senhor Jesus Cristo, na “impagável mas disponível graça”, concordantes com as palavras do Rev. Dietricht Bonhoeffer: “A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina de uma congregação, é a Ceia do Senhor sem confissão dos pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem a cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado”. Preocupamo-nos com teologias baratas que prometem “o céu na terra”, alegando a incorruptibilidade no tempo presente do corpo corruptível (K. Haggin) e a prosperidade material como expressão única de uma vida de fé. Rejetamos o oferecimento de um evangelho sem compromisso eclesial, um evangelho egoísta sem a utilização dos dons espirituais para a edificação do Corpo de Cristo, um evangelho interesseiro que ensina seguir a Cristo não por amá-lo mas pelo que ele pode (e, na afirmativa de alguns, deve) oferecer na Terra.

 

14. Pneumatologicamente CREMOS no pentecostalismo carismático de linha teológica wesleyana, crendo na atividade presente e constante do Espírito Santo na igreja, distribuindo os dons previstos no Novo Testamento nos dias atuais - incluindo a glossolália - como promessas sendo cumpridas. Entendemos a glossolália como um dos dons espirituais.

 

15. CREMOS que a missão da igreja é evangelizar todos os seres humanos, discipulando-os, batizando-os, preparando-os e enviando-os a proclamar a salvação e glória exclusivas de Jesus Cristo.

 

16. Evangelicais quanto às Escrituras Sagradas, cremos na inspiração plena da bíblia, sendo inspirados os sessenta e seis livros incluídos na bíblia protestante. Vemos a bíblia como sendo “A Palavra Viva do Deus Vivo”, e não apenas “contendo” a Palavra de Deus. Assim, no tocante à infalibilidade e inerrância bíblica, consigna apoio à “Declaração de Chicago” (1978), frente aos desafios lançados pelos teólogos liberais e neo-ortodoxos.

 

Rev. Martinho Lutero Semblano

Reitor da Faculdade de Teologia Wittenberg

6 de Março de 2006”.


 

 

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